Mitos e Verdades sobre Cirurgia Bariátrica
Especialista esclarece dúvidas mais comuns sobre Gastroplastia
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Como todo tratamento de saúde, a cirurgia bariátrica é tema de dúvidas e muitas vezes foco de alguns mitos, por isso Dr. Paulo Nassif - cirurgião do aparelho digestivo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariática e coordenador de uma equipe multiprofissional de tratamento da obesidade- esclarece algumas dessas dúvidas frequentes, desmistificando alguns fatos ou boatos comuns sobre o tratamento. 

“Basta operar e está tudo resolvido”

Infelizmente não! A obesidade é uma doença crônica grave que precisa ser monitorada mesmo após a gastroplastia. A cirurgia só tem resultados positivos quando o paciente muda seus hábitos de vida. Por isso, é muito importante que o paciente alimente-se equilibradamente, realize exercícios físicos e busque o acompanhamento constante da equipe multidisciplinar composta de profissionais de várias áreas da saúde preparados para auxiliar nessa nova fase, evitando depressão, desnutrição ou ganho de peso.

“Diabetes e hipertensão são contra-indicações para a cirurgia ”

A maioria dos obesos sofre de hipertensão arterial e/ou diabetes tipo 2, doenças graves, mas que não impedem a realização do tratamento e que geralmente melhoram acentuadamente ou desaparecem após a cirurgia.

“A cirurgia transforma obesos em magros desnutridos”

Não, o objetivo principal da cirurgia é o de proporcionar mais saúde ao paciente, porém, os alimentos consumidos pelos operados têm menor absorção, em função do desvio intestinal, e por isso a deficiência de algumas vitaminas e proteínas pode acontecer, mas pode ser evitada. Para isso o endocrinologista e o nutricionista, profissionais da equipe multidisciplinar, irão monitorar as condições do paciente e, se necessário prescreverão o uso de suplementação alimentar para não permitir justamente que a desnutrição venha a acontecer. 

“Os operados precisarão tomar medicamentos pelo resto da vida”

Não são bem medicamentos, mas suplementos alimentares que, com o objetivo de solucionar as carências nutricionais, o endocrinologista prescreve para garantir que o organismo receba esses nutrientes essenciais, já que sua absorção está diminuída. Em algumas técnicas, todavia, a suplementação poderá não ser necessária por toda a vida.

 “A pessoa vomita com frequência depois a cirurgia”

O desconforto do vômito só acontecerá se o paciente comer além do limite ou não mastigar bem os alimentos.

“Após a cirurgia, só poderei me alimentar de caldos, sopas ou alimentos pastosos”

Passado o pós-operatório, não existem impedimentos quanto ao tipo de alimento. O nutricionista acompanhará o paciente e orientará a dieta a ser seguida. Em geral, a dieta líquida e pastosa é prescrita apenas nos primeiros dias após a cirurgia e evoluirá gradativamente para a dieta sólida.

“Não vou poder comer carne nunca mais”

Alguns pacientes sentem um mal-estar após a ingestão carne vermelha. Para evitar esse problema, é necessário seguir rigorosamente as orientações no pós-operatório, introduzindo a carne na dieta quando orientado, mastigando muito bem. Algumas pessoas sentem esse desconforto nas primeiras vezes que comem a carne e acabam desistindo de consumi-la, mas é preciso insistir na adaptação, porque o consumo de proteína garante uma perda de peso saudável. Além disto, ela é a maior e melhor fonte de ferro e outros nutrientes

“O açúcar e os doces passam a ser alimentos proibidos”

Não há nenhuma proibição, todos os alimentos podem ser consumidos em pequenas quantidades e de forma equilibrada. Alimentos calóricos, como os doces, devem ser evitados, mas esporadicamente podem ser consumidos. Além disso, ao comer doces ou alimentos muito gordurosos, alguns pacientes sentem a chamada síndrome de “dumping”, um mal-estar causado pela passagem rápida do alimento do estômago para o intestino por causa do desvio intestinal. Em geral, os sintomas são náuseas, sudorese e fraqueza que duram alguns minutos.

 “Vou perder cabelo após a cirurgia”

Alguns pacientes apresentam perda parcial de cabelo pela carência de zinco no organismo nos primeiros meses do pós-operatório. Não é uma perda radical e é temporária: após alguns meses o paciente alcançará um equilíbrio das taxas de zinco e o cabelo volta ao normal.

“É possível já fazer cirurgia plástica junto com a cirurgia da obesidade”

O tempo ideal para a realização da cirurgia plástica é um ano após a cirurgia da obesidade, pois o paciente já está com o peso quase estabilizado e recuperado da cirurgia bariátrica. Realizar as duas ao mesmo tempo aumenta os riscos e é desnecessário porque o paciente ainda irá sofrer uma perda significativa de peso e naturalmente haverá novas sobras de pele, assim poderá necessitar de nova cirurgia plástica.

“Os pacientes operados deverão continuar a fazer dieta após a operação, caso contrário poderão não emagrecer ou voltar a engordar”

Fazer dieta não é propriamente a expressão correta. O paciente operado terá uma vida normal, podendo realizar suas tarefas habituais, freqüentar festas e restaurantes. Mas, para que continue com saúde e mantendo seu peso, ele precisa ser disciplinado. É importante lembrar que a maior parte da responsabilidade pelo sucesso da cirurgia da obesidade está nas mãos do paciente, pois apesar de ser uma importante ferramenta no tratamento da doença, a cirurgia não é mágica e nem milagrosa. A perda de peso está amplamente ligada à mudança comportamental. Por isso, os pacientes operados que não seguem as orientações da equipe multidisciplinar poderão não alcançar o resultado ideal, ou mesmo após terem chegado ao peso adequado retornam a engordar porque aos poucos voltam aos velhos maus hábitos de vida (alimentação inadequada e sedentarismo).

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